TRINTA MARES
1. Entre o que fui e o que floresce
Fiz morada em tantas marés,
aprendi com cada onda,
me despedi de cais e medos
com o peito aberto pra rota nova
Fui o que pude ser,
entre silêncios e brilhos,
carregando o sal da vida
e os sonhos que não se afogaram
Fui muitas vozes,
algumas cansadas,
outras dançantes,
mas todas banhadas de sabedoria
Hoje, não chego — navego
Não paro — respiro
Não sei tudo — mas escolho
o que me faz viver com sentido
Trinta
E não é peso
é coragem que pulsa nas velas
é amor que ancora
é horizonte que me abraça
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2. Versos para quem me fez chegar
Aos que me deram chão
mesmo quando tudo em mim era tempestade
Aos que me estenderam braços
mesmo sem saber o tamanho do meu cansaço
Aos olhos que me viram
quando eu nem sabia me olhar
Às vozes que me lembraram
que viver também é verbo de florescer
Grato sou
pelo tempo, pelas mãos,
pelas presenças que ficaram
e até pelas que partiram
me ensinando que crescer também é deixar ir
Grato sou
pelos encontros que aqueceram
pelos silêncios que acolheram
pelos gestos pequenos
que fizeram o mundo melhor
Se cheguei até aqui
é porque nunca caminhei só
Carrego em mim pedaços de amor
de tanta gente foda
E hoje, aos trinta,
me inclino diante da vida
com o coração cheio
e os braços abertos
pra continuar agradecendo
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3. Eu, em trinta verbos
Acolho
O que sou, o que fui, o que vem
A dor que já doeu
e a alegria que ainda dança em mim
Acolho com braços de abrigo,
com olhos que já choraram,
mas agora enxergam com mais leveza
Transmuto
O medo em coragem,
a dúvida em estrada,
o cansaço em pausa sagrada
Sou fogo que queima o que não serve mais,
Brisa que leva embora o que pesa
Renasço
Não de um fim,
mas de cada instante em que escolho
ser mais verdadeiro comigo mesmo
Renasço toda vez
que abraço minha luz
sem esquecer minha sombra
Sou trinta
Sou tempo que aprende,
sou presença que sente,
sou verbo em sintonia
Acolher. Transmutar. Renascer.
esse é meu jeito de existir
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4. Ao menino que sonhava
Ei, pequeno,
você que chorava fácil,
não era fraqueza
era mar em forma de gente
Você que abraçava forte,
que cuidava até dos brinquedos,
já tinha no peito
o dom de fazer do afeto um abrigo
Eu vim te dizer:
valeu a pena continuar sonhando (mesmo que de olhos abertos)
As lágrimas te ensinaram a ser rio,
o carinho virou caminho,
e aquele medo do escuro?
Hoje é coragem que acende o farol da vida
Você cresceu
Virou poesia,
virou abraço pros outros,
virou casa pra si
Ainda sente muito
mas agora sabe:
isso é força, não fardo
O mundo ainda é grande,
mas você também é
E mesmo aos trinta,
continua sendo menino
só que com asas
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5. Maré de Maio
Sou maré de maio,
meio outono, meio primavera
vento que dança entre folhas e flores
Carrego o sal do tempo nos olhos,
e a doçura da vida nas mãos
Sou o que acolhe, o que sente,
o que não se contenta com pouco (a-m-o-r)
Trago no peito
a coragem de quem se refaz
sem perder a essência
Me desfaço, me refaço
não por moda,
mas por necessidade de ser inteiro
Sou feito de passos lentos,
mas firmes
De silêncios cheios,
de encontros que curam,
de despedidas que libertam
Trinta
Não é linha de chegada,
é mergulho mais fundo
no que sou de verdade
Sou maré de maio,
e sigo
não por obrigação,
mas por escolha
