TRINTA MARES

05/05/2025

1. Entre o que fui e o que floresce

Fiz morada em tantas marés,

aprendi com cada onda,

me despedi de cais e medos

com o peito aberto pra rota nova

Fui o que pude ser,

entre silêncios e brilhos,

carregando o sal da vida

e os sonhos que não se afogaram

Fui muitas vozes,

algumas cansadas,

outras dançantes,

mas todas banhadas de sabedoria

Hoje, não chego — navego

Não paro — respiro

Não sei tudo — mas escolho

o que me faz viver com sentido

Trinta

E não é peso

é coragem que pulsa nas velas

é amor que ancora

é horizonte que me abraça

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2. Versos para quem me fez chegar

Aos que me deram chão

mesmo quando tudo em mim era tempestade

Aos que me estenderam braços

mesmo sem saber o tamanho do meu cansaço

Aos olhos que me viram

quando eu nem sabia me olhar

Às vozes que me lembraram

que viver também é verbo de florescer

Grato sou

pelo tempo, pelas mãos,

pelas presenças que ficaram

e até pelas que partiram

me ensinando que crescer também é deixar ir

Grato sou

pelos encontros que aqueceram

pelos silêncios que acolheram

pelos gestos pequenos

que fizeram o mundo melhor

Se cheguei até aqui

é porque nunca caminhei só

Carrego em mim pedaços de amor

de tanta gente foda

E hoje, aos trinta,

me inclino diante da vida

com o coração cheio

e os braços abertos

pra continuar agradecendo

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3. Eu, em trinta verbos

Acolho

O que sou, o que fui, o que vem

A dor que já doeu

e a alegria que ainda dança em mim

Acolho com braços de abrigo,

com olhos que já choraram,

mas agora enxergam com mais leveza

Transmuto

O medo em coragem,

a dúvida em estrada,

o cansaço em pausa sagrada

Sou fogo que queima o que não serve mais,

Brisa que leva embora o que pesa

Renasço

Não de um fim,

mas de cada instante em que escolho

ser mais verdadeiro comigo mesmo

Renasço toda vez

que abraço minha luz

sem esquecer minha sombra

Sou trinta

Sou tempo que aprende,

sou presença que sente,

sou verbo em sintonia

Acolher. Transmutar. Renascer.

esse é meu jeito de existir

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4. Ao menino que sonhava

Ei, pequeno,

você que chorava fácil,

não era fraqueza

era mar em forma de gente

Você que abraçava forte,

que cuidava até dos brinquedos,

já tinha no peito

o dom de fazer do afeto um abrigo

Eu vim te dizer:

valeu a pena continuar sonhando (mesmo que de olhos abertos)

As lágrimas te ensinaram a ser rio,

o carinho virou caminho,

e aquele medo do escuro?

Hoje é coragem que acende o farol da vida

Você cresceu

Virou poesia,

virou abraço pros outros,

virou casa pra si

Ainda sente muito

mas agora sabe:

isso é força, não fardo

O mundo ainda é grande,

mas você também é

E mesmo aos trinta,

continua sendo menino

só que com asas

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5. Maré de Maio

Sou maré de maio,

meio outono, meio primavera

vento que dança entre folhas e flores

Carrego o sal do tempo nos olhos,

e a doçura da vida nas mãos

Sou o que acolhe, o que sente,

o que não se contenta com pouco (a-m-o-r)

Trago no peito

a coragem de quem se refaz

sem perder a essência

Me desfaço, me refaço

não por moda,

mas por necessidade de ser inteiro

Sou feito de passos lentos,

mas firmes

De silêncios cheios,

de encontros que curam,

de despedidas que libertam

Trinta

Não é linha de chegada,

é mergulho mais fundo

no que sou de verdade

Sou maré de maio,

e sigo

não por obrigação,

mas por escolha

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